Depois da reportagem do Fantástico no último domingo, algumas mães mostraram-se preocupadas com o peso das mochilas dos filhos. Esse assunto é recorrente no início de todos os anos letivos e agora é inclusive objeto de estudo de legislação (no futuro pode virar lei). Existe uma recomendação médica que o peso da mochila que se leva às costas não ultrapasse os 10% do peso da criança.
A reportagem também mostrou uma solução possível: uma escola colocou armários de aluguel à disposição dos pais que preferem deixar o material na escola.
Mas como jornalista de televisão não é educador, resolvemos fazer um estudo de caráter pedagógico, para ir um pouco além da reportagem pós-Faustão e esclarecer nossas famílias do real problema na escola.
Os tais armários foram colocados como uma possível solução. Mas como jornalistas de TV, não pensaram na prática do dia-a-dia que pode trazer alguns problemas para os próprios alunos. Vejamos. Imagine a seguinte situação: alguns alunos (vamos lembrar que na escola são mais de 400!) esquecem ou perdem a chave ou combinação do armário… Ou vão embora e esquecem o livro, ou caderno ou trabalho que precisam para o dia seguinte… Ou o livro que vão estudar para a prova de amanhã… Um(a) amigo(a) conta para a outro(a) a combinação e depois some alguma coisa que estava no armário… “Coisas” guardadas escondidas e trancadas sem que ninguém tenha controle…
Chiiii, confusão na certa. Ligações, interrupções no trabalho de coordenação, orientação, interrupção numa aula para entrar na sala e pegar o que esqueceu… na prática viraria uma bagunça daquelas.
Uma alternativa interessante e viável e que na reportagem não teve destaque (mesmo no site do Fantástico você pode constatar que é colocada de maneira rápida) é a que já vem sendo adotada pela maioria dos pais: trocar a mochila que vai às costas pelas puxadas (de rodinha), apenas com a recomendação que a criança reveze o braço que puxa a mochila.
Simples, barato, prático e eficaz.
Mas por todas essas dúvidas fizemos um estudo essa semana para verificar o peso médio (usamos o material do 6º ano como estudo) do material que o aluno usa por aqui.
Resultado: Se o aluno traz o material do dia, a média fica nos 10% do peso corporal recomendados.
E por material do dia entenda-se que não se conta celular, maquiagem, brinquedo, gibis, joguinhos, escova de cabelo, a própria mochila que em muitos casos passa de 3 quilos, capas de cadernos “estilosos” ou fichários que pesam mais do que precisa, e tudo mais que a maioria das crianças traz para a escola dentro da mochila.

Vejamos os resultados do nosso estudo.
Primeiro a média da soma do peso dos livros, cadernos e estojo: 3.101g
Pesos totais dos livros:
Segunda = 2.700g
Terça = 2.300g
quarta = 1.930g
quinta = 2.100g
sexta = 2.100g
Média do peso dos livros = 2.226g
Média com mais 4 cadernos, estojo, dicionário e agenda = 3.876g

Peso médio do aluno de 11 anos no Brasil = entre 38 e 39 quilos ou 3.800g / 3.900g de peso recomendado. Claro, variando para meninas (nessa idade pesam mais que os meninos!) e meninos e suas alturas e características familiares.

Durante o estudo, pudemos verificar que segunda-feira é o dia “mais pesado”, pois o aluno deve levar 4 livros (e os mais pesados) além dos respectivos cadernos e estojo. Já na quarta, é o dia “mais leve”, abaixo da média recomendada.
Vejamos então o peso da segunda-feira: Livro de português, de Matemática, Geografia e Ciências, mais cadernos e estojo com lápis, caneta, borracha, apontador, régua e tesoura:
Livros = 2700g (dois quilos e setecentos gramas). Quatro cadernos de 300g cada = 1200g. Estojo com conteúdo = 95g.
Total = 4775g (quatro quilos setecentos e setenta e cinco gramas) ou 875 gramas a mais que o recomendado para uma criança de 39 quilos.

Para o dia mais leve, a quarta-feira, ficou assim:

Livros (Mat, Port, Hist) = 1.935g, mais 3 cadernos de 300g (900g) estojo, agenda e dicionário, totalizando 3.705g, portanto 195g abaixo do peso ideal.

Obviamente o peso estudado levou em conta cadernos “normais”, de capa simples, assim como o material básico, coisa rara de se ver hoje nas crianças, quando as marcas, desejos e personagens acrescentam nada em conteúdo, mas muito em preço e peso…
Finalmente, a recomendação da escola é a seguinte:
Se seu filho usa a mochila nas costas, troque por uma de rodinhas para ser puxada, o que resolve o problema de uma vez. Não prejudica a postura nem a coluna. A maioria das crianças já faz isso. E algumas meninas têm optado por bolsas e sacolas, dividindo o peso em 2, ao invés das mochilas. Acham mais modernas e “com cara” de “gente grande”. Elas são bem resistentes e vendidas nas mesmas lojas das mochilas.
Depois, lembre-se que mesmo sem a questão do peso, os pais precisam dar uma boa olhada no que se está levando na mochila dos filhos todos os dias, e cortar o que está a mais ou mesmo o que não tem referência com os estudos, colaborando com sua saúde e educação no longo prazo.
Se mesmo assim a família julgar que o peso é excessivo, troque os cadernos e a própria mochila por similares mais leves e simples.